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Quem sou eu?

Sou são-paulino. Antes de qualquer título, antes de qualquer discussão de bar, antes até de entender o que era um esquema tático. Ser são-paulino, pra mim, nunca foi só ganhar, foi pertencer. Sou professor, historiador por formação, e talvez por isso eu nunca tenha conseguido olhar o futebol de forma descontextualizada.

Cresci vendo o São Paulo Futebol Clube como mais do que um time, um símbolo de organização, de resistência, de grandeza construída com trabalho. Minha paixão nasceu pelo uniforme branco com as listras no peito, um padrão único, copiado por pouquíssimos, que desde cedo me fazia acreditar que aquele clube não era apenas grande, mas singular, diferente de todos os outros. Vivi fases gloriosas, vivi jejuns incômodos, vivi eliminações doloridas e comemorei vitórias que pareciam improváveis. Porque torcer não é um ato racional, é um vínculo afetivo que atravessa gerações, bairros, crises e sonhos.

E falo de bairros porque isso importa. Sou do Itaim Paulista, extremo da cidade, e por muito tempo estive longe do Morumbi não só em quilômetros, mas em acesso. Ir a um jogo à noite sempre foi um desafio, horas de transporte, último trem, ônibus escasso, o medo de não conseguir voltar. Hoje moro no centro, e esse deslocamento ganhou outro significado. O caminho que faço do centro ao Morumbi para ver o São Paulo jogar dialoga com a própria história do clube, que nasceu no coração da cidade e foi empurrado para longe do seu eixo original. Cada jogo é também uma travessia simbólica que refaz o percurso histórico do São Paulo do centro ao Morumbi e reafirma que o clube nunca deixou de pertencer à cidade, mesmo quando foi afastado dela.

O Morumbi, pra mim, é um dos maiores patrimônios do São Paulo Futebol Clube ao lado da sua torcida. É templo, é memória, é palco de uma história que ajudou a moldar o futebol brasileiro. Mas também é impossível ignorar que foi um erro geográfico. Um estádio erguido como uma ilha cercada por um território de classe alta que nunca representou o São Paulo Futebol Clube nem o perfil majoritário de sua torcida. Ainda assim, o tempo vem produzindo um movimento importante. Esse espaço, por décadas pensado para poucos, vem sendo lentamente conquistado pelo torcedor das faixas mais baixas da estrutura social, que ocupa arquibancadas, cria cultura, impõe presença e devolve ao Morumbi o caráter popular que sempre deveria ter sido seu.

Este blog nasce da vontade de falar do São Paulo com paixão, mas sem cegueira, com crítica, mas sem perder o amor. Aqui, o São Paulo não será tratado apenas como 11 jogadores em campo, mas como um fenômeno social, político e cultural. Futebol também é memória, identidade e disputa de narrativas dentro e fora das quatro linhas.

Não escrevo para agradar diretoria, influencer ou rival. Escrevo como torcedor que questiona, que lembra do passado para entender o presente e que se recusa a normalizar mediocridade em um clube que já ensinou o Brasil e o mundo a ser grande.

Aqui você vai encontrar opinião, memória, ironia quando for preciso e respeito à história do clube. Nem sempre você vai concordar comigo, e tudo bem. O São Paulo sempre foi plural. Torcer também é discordar.

Se você acredita que o São Paulo é maior do que qualquer gestão, maior do que qualquer fase ruim e maior do que qualquer rival, seja bem-vindo.

Este espaço é tricolor.
Crítico.
Apaixonado. 🇾🇪

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